sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Aprendizagens extras no Espaço Ciência

Quis compartilhar recente fato vivenciado no Espaço Ciência no meu blog e as reflexões geradas, retratadas na mensagem que encaminhei aos responsáveis pelo Espaço e transcrevi abaixo. Revela muito de meus valores e ideais. Antecipo que fiquei surpresa com a atenção e o nível de respeito que todos tiveram por meu relato, apoiando minha causa e apontando as providências que serão tomadas, de forma ética e esclarecedora, sem retaliações. A educação é o caminho da ciência. Os ilustres dirigentes pontuaram outras reflexões muito pertinentes, mas que preservo a discrição de não transcrever. A vivência me acrescentou muito em refletir sobre as questões pontuadas e me gratificou ao ver eco das reflexões apontadas. Evidencio ainda a presteza e eloqüência das respostas dos gestores que me retornaram. Espero que por lá, também se implementem as aprendizagens para os jovens monitores, e conseqüentemente, os próximos visitantes do Espaço Ciência.
Transcrevo minha última mensagem, em 9 de agosto de 2011 16:17:
...:
Agradeço a atenção e presteza em retornar minha mensagem e as reflexões adicionais compartilhadas. Já escrevi bastante mas tenha certeza que não intencionei qualquer retaliação. Reforço a importância do esclarecimento/treinamento da jovem e demais monitores. O debate sugerido ao final de sua mensagem é uma excelente proposta.
Fiquei feliz em perceber em quão boas mãos está a direção do Espaço Ciência. Com certeza retornarei e continuarei sugerindo aos amigos e familiares.
Votos de crescente sucesso em sua Gestão.
Atenciosamente,
Clara Emilie.

Em 9 de agosto de 2011 13:20, Clara Emilie Boeckmann Vieira escreveu:

Prezados Senhores:

envio este e-mail a diferentes coordenadores do Espaço pela incerteza de a quem eu deveria me dirigir, e para compartilhar fato desagradável que vivenciei na visitação monitorada no último domingo. Costumo visitar regularmente o Espaço Ciência, levando filhos e sobrinhos, por ser fã desta oportunidade de ampliarmos a inserção da cultura científica em nossos jovens desde cedo, e de fato, a visitação monitorada é muito interessante e construtiva. Parabenizo a todos pela qualidade do trabalho que é realizado.

Contudo, no último domingo ocorreu uma situação inusitada: a monitora da área Terra, em sua primeira fala, ainda no túnel de início de sua explicação, ao falar do Big Bang, fez colocações incabíveis de serem inseridas no espaço que se chama "Espaço Ciência":
A primeira, de que há duas "teorias" quanto á origem do universo: o Big Bang ou, "Deus criou o Universo". Complementou que "uma explosão apenas mata - como poderia gerar a vida?"... e finalizou de que na sua opinião, Deus criou o Universo.

Não é questão de acreditar ou não em Deus. Particularmente, acredito em muitas coisas que a ciência ainda não comprovou (e sou fã da Física Quântica), mas a monitora é formadora de opinião, havia muitas crianças ali, e não acho que o propósito do Espaço Ciência seja religioso.

Fiquei calada, e fiquei sem participar das explicações seguintes. Contudo, ao chegar diante das maquetes que propunham a evolução do homem, voltei ao grupo. Ela questionou se acreditávamos que o homem teria evoluído do macaco... finalizando sua fala com a sua opinião que teria sido Deus que criou o homem e a mulher. Questionei se estávamos no Espaço Ciência ou na Igreja. Mas ela seguiu adiante e eu não quis mais ouvir as explicações.

Ao sair, falei para outros dois monitores o ocorrido, e que ali não é o espaço para tais colocações. E insisto em não entrar no mérito da religiosidade. Cada um tem o direito de fazer suas escolhas, mas deve respeitar as do outro, não forçando o outro a acreditar na sua. Encontrei-a na saída e tentei argumentar apenas, que ali não seria o espaço para tais colocações - Espaço CIÊNCIA. Mas ela mal deixou-me falar, sendo grosseira e indelicada. Deu-me pena ver alguém tão jovem, sem abertura à aprendizagem e sem educação mínima de interrelacionamento. Mantive a calma e só me restou encaminhar à coordenação minha reclamação e sugestão, a fim de ser mantido no Espaço Ciência, o enfoque científico da vida. Coincidentemente, no mesmo dia assisti ao imperdível filme "Criação" (apesar de ser passível também de algumas críticas).

A sugestão, senhores, colegas servidores do Estado como eu, é dar maior discernimento a estes jovens, para que cumpram com seu papel de difundir a ciência, para que as mentes dos nossos futuros cidadãos possam vivenciar todos os seus potenciais, no uso da razão, do respeito, da cosmoética e do universalismo.

Eu estava com meu filho de sete anos. Educo-o como eduquei o de 21, hoje estudante de Direito: é preciso ser bom, honesto, sincero, fraterno e solidário, porque isso é o melhor pra todos, porque é preciso evoluir e fazer um mundo melhor, e não para obter recompensas em algum "céu" ou evitar castigos em "infernos". O ser humano está evoluindo, sim. Devemos fazer parte desta construção coletiva. É nossa responsabilidade como parte da Teia da Vida. É nossa responsabilidade sermos cada vez melhores e ajudar aos demais a também evoluírem.

Sugestão 2: disponibilizar bebedouro/garrafão em algum local do Parque, pois em nenhum local das redondezas, tinha onde comprar.

Votos de que o sucesso do Espaço Ciência seja mantido pelos próximos milênios, acompanhando todos os avanços científicos

Atenciosamente,

Clara Emilie Boeckmann Vieira

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Que Planeta é esse, Terra?

Sei de atrocidades na Africa - a miséria, a fome, a prática da infibulação. Mas a leitura me deixou tão chocada que me questionei se isso tudo seria realmente verdade. E a resposta para a pergunta final da razão da saída do grupo terrorista seria evidente: nem eles querem estar mais em tal lugar. Isso me fez sair de meu umbigo e questionar não mais "que país e este?" do Renato Russo, mas que Planeta é esse? A que ponto chegamos! E estou falando apenas da parte intrafísica. O problema do comum: é de todos e não é de ninguém. Compartilho artigo para fazer pensar.

TERRA DE NINGUÉM

Único país sem governo central, a Somália é o retrato de tudo o que pode dar errado quando desastre natural e disputas tribais se unem


MARCELO NINIO - ENVIADO ESPECIAL A MOGADÍCIO

Futuro é um termo de curtíssimo prazo na Somália.
O país ocupa o topo do amaldiçoado ranking de Estados mais falidos do mundo. Fome, doenças, ruína econômica e balas perdidas estão sempre à espreita.
Taher Gedy, 30, balconista de uma farmácia no empoeirado centro da capital, Mogadício, faz uma expressão vazia quando questionado sobre o futuro que espera para os seus sete filhos.
"Só espero que continuem saudáveis e não sejam atingidos por um tiro", diz.
Nos últimos dias, a chegada de milhares de refugiados à capital, provocada pela pior seca dos últimos 60 anos, levou uma legião de famintos à já miserável paisagem.
Único país do mundo sem um governo central, após duas décadas de guerra civil, a Somália é um retrato de tudo o que pode dar errado quando desastre natural e disputas tribais se unem.
Estatísticas confiáveis são raras, já que grande parte do país é inacessível às agências internacionais. A expectativa de vida, segundo o Unicef, mal chega a 50 anos.
Por quatro dias, sob forte escolta armada, a reportagem da Folha circulou pelas esburacadas ruas de Mogadício, visitando hospitais, campos de refugiados e a sede do governo transitório, que controla alguns distritos da capital.
O resto do país está mergulhado em um caos disputado por clãs e pela temida milícia islâmica Shabab (jovens, em árabe), ligada ao grupo terrorista Al Qaeda. Uma terra de ninguém em que nem a ONU se arrisca a entrar.
Mesmo na capital, a segurança é tão precária que a ONU delega a organizações locais a assistência humanitária. Poucos conhecem tão bem a violência e o fanatismo do país como o cirurgião Mohammad Yusuf.
Diretor do Hospital Medina, um dos maiores da capital, sua rotina é atender às dezenas de vítimas de armas de fogo. "Não faço perguntas", diz Yusuf, ao ser questionado se a maioria das vítimas é de soldados, milicianos ou civis. "Dependo da neutralidade para continuar trabalhando."
Yusuf sabe o que diz. Fã de Roberto Carlos e de música clássica, que aprendeu a apreciar nos 22 anos em que viveu em Roma, o médico escapou por milagre de um atentado há alguns anos, nos arredores de Mogadício.
Seu carro foi atingido por mais de 60 tiros disparados por milicianos do Shabab, insatisfeitos com seus gostos "ocidentais", embora ele seja muçulmano praticante. Depois disso, se mudou com a mulher para o hospital.
Os grandes blindados da Amisom (missão de paz da União Africana) dividem as ruas da capital com carroças puxadas por burros e um comércio informal, a porção mais ativa da economia.
A seca arruinou boa parte da agricultura familiar e do rebanho de vacas e ovelhas. Até camelos estão morrendo de sede. Serviços municipais são praticamente inexistentes e o errático fornecimento de eletricidade é um luxo para poucos. Vans caindo aos pedaços fazem o transporte de quem tem como pagar.
Uma montanha de lixo tomou conta do píer perto da parte antiga da cidade, onde o casario italiano dos tempos de colônia está em ruínas.
Caminhando sobre os restos de peixes e outros animais putrefatos, o desempregado Maher Kassem, 29, conta que sobrevive de bicos que nunca lhe rendem mais de R$ 30 por mês. Quando pode, joga futebol, sua única diversão.
Um fio de esperança surgiu depois que os milicianos do Shabab saíram da capital.
Mais que alívio, porém, a repentina saída provocou perplexidade. "Ninguém sabe por que eles saíram, nem para onde", admite o policial Rashid Mohamed, 39, enquanto caminha ao lado do mercado Bakara, que centralizava o poder do Shabab.
Mohamed também evita falar do futuro. "Todo mundo sabe que eles podem voltar a qualquer momento".

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folha.com.br/fg4128

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dicas para apresentações – palestras e docência

Objetivos. Comecei a redigir este artigo na Oficina de Parapedagogia no mês passado. O objetivo é apresentar um apanhado de dicas aproveitáveis na docência e nas apresentações (palestras, oficinas, etc) tradicionais ou conscienciológicas.

Polêmica. Quanto ao uso de tecnologias (powerpoint, datashow, som) em aulas e palestras. Há pessoas que abominam o uso de softwares de apresentações em datashow. Minha opinião: enriquece, amplia o esclarecimento, fixa a aprendizagem, maximiza as chances de compreensão dos alunos. Porque pessoas aprendem de diferentes formas. Há os que aprendem melhor ouvindo, outros, são mais visuais, e outros, os cinestésicos, precisam experimentar.

Recursos. Para um conferencista falar sem utilizar outros recursos além de sua própria voz, faz-se necessária uma gama de trafores – traços força, da comunicação: didática, entonação de voz, movimentação apropriada, encadeamento de ideias, humor, e outras pérolas da oratória. Poucas pessoas possuem uma oratória cativante, que prenda a atenção e didática. Recursos proporcionados pelo powerpoint (imagens, palavras, cores, encadeamento lógico), pequenos vídeos, podcasts, sons, podem otimizar a conferência ministrada. Algumas justificativas quanto ao uso de outros recursos:


  • Ampliar as chances de entendimento para os diferentes tipos na plateia;

  • Enriquecimento do conteúdo da fala.

  • Leveza à apresentação,

  • Rompimento do spam de atenção (em média, só se prende a atenção de um ouvinte, sem interrupção, por 15 minutos).

  • Dar suporte ao conferencista para lembrar tópicos e encadeamento de ideias.

    Powerpoint. Vale salientar a importância da qualidade do powerpoint. Algumas dicas essenciais:
    1)Uso de cores contrastantes. Receita básica: fundo branco com letras escuras
    2)Pouco conteúdo por slide, sem textos longos. Uso de palavras chave
    3)Uso de letras grandes (>16)
    4)Plano de fundo neutro que não promova dispersões.
    5)Uso de imagens que fortaleçam o tema apresentado.

    Comunicação. A comunicação eficiente pressupõe uma mensagem que sai de um emissor, através de um meio de comunicação e é compreendida pelo receptor que dá feedback que compreendeu a mensagem. Recursos instrucionais compõem o meio de comunicação. Assim, trazendo estes conceitos para uma aula/palestra, sabemos que os recursos não vão salvar um conferencista que não saiba falar minimamente bem. Mas sempre poderão, quando bem utilizados, otimizar a comunicação entre emissor e receptor, maximizando as chances de entendimento e aprendizagem.

    Facilitador. Na proposta da andragogia (ensino de adultos), nos dias atuais, já não é bem visto o conceito do professor que ensina, pressupondo o aluno como receptáculo de informações. Além disso, com a internet, nunca se teve tanto acesso à informações. Por isso, vem se pensando no conceito de facilitador de aprendizagem como sendo mais apropriado, onde o professor propõe técnicas e usa recursos que busquem facilitar a aprendizagem. Para um doente de faculdade, por exemplo, é mais interessante ele motivar o aluno a querer aprender seu assunto, do que tentar passar um volume gigantesco de informações em suas limitadas horas de aula.

    Dicas. Algumas dicas adicionais merecem ser citadas, principalmente com relação à docência conscienciológica, do que pude observar de minhas próprias experiências como aluna e docente:
    1.Modéstia. Jamais o professor deve se colocar superior. Por exemplo responder algo como “quando você estudar mais, a gente conversa”.
    2.Princípio. Usar o Princípio do Exemplarismo Pessoal. Não adianta falar no que não faz, no que não acredita. É preciso ter coerência para ter força presencial. É positivo trazer a própria casuística pessoal quando falar de valores.
    3.Autoconhecimento. Como diz Parker Palmer: ““Nós ensinamos quem nós somos...Ensinar mantém um espelho para a alma. Se posso me ver e não correr do que vejo, tenho uma chance de me enxergar, me conhecer”.
    4.Multidimensionalidade. A chave para a tarefa do esclarecimento (tares) assistencial eficiente é o autodiscernimento multidimensional, a compreensão da situação em nível multidimensional, não apenas o que estamos enxergando superficialmente, no intrafísico. Quando o aluno pergunta, é preciso ouvir “nas entrelinhas”, buscando identificar sua real necessidade. Isso se soma à importância da coerência, do exemplarismo pessoal.