terça-feira, 1 de setembro de 2015

Porque não quero mais seitas ou religiões

Fico triste com as crises e dramas que as pessoas vivenciam, e suas crenças e religiões, na maior parte das vezes, são inoperantes em orientar ou aliviar, ou, quando pior, ainda as põe mais no buraco ainda. 

A melhor maneira de checarmos a validade das escolhas é através de seus resultados. Então, conforme a Experimentologia, é verificar se aquilo que investimos ajuda ou atrapalha. E viva as diferenças e o binômio admiração-discordância, cada um fazendo o seu melhor, com respeito mútuo. 

Em minha experiência e reflexões pessoais,  não quero mais seitas e religiões na minha vida. Listo abaixo, as principais razões, entre tantas outras:
  1. 1)      Pelas guerras, discórdias, pilhagens, homicídios, torturas, preconceitos, condenações e belicismos que vêm desde os primórdios dos tempos, até dias atuais, levando milhões à morte e a todo tipo de sofrimento, e ainda com o disparate de argumentar que é “em nome da fé”.
  2. 2)      A rejeição ou limitação à logica, ao pensamento crítico, em nome de fé e dogmas, muitas vezes com bases em livros, códigos ou escritos ultrapassados, desconsiderando que todos foram escritos, remodelados e reescritos por homens, ao longo dos séculos, sem uma atualização, com muitas coisas obsoletas e muitas vezes mal interpretados.
  3. 3)      O responsabilizar entidades pelos sucessos e fracassos pessoais – ex.: tal “ser divino” quis assim.
  4. 4)      As apologias ao sofrimento, submissões, subserviências e generalizações – ex.: “é sofrendo que se aprende”; ”a glória do céu aos sofredores”; “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, do que um rico entrar no reino do céu”.
  5. 5)      O valor em ser bom ou não errar para garantir um benefício pós morte – ex.: “faça o bem para merecer o céu”. “Não errar para não ser castigado”. E não por isto ser o correto, ético, nobre, e melhor para si e para todos.
  6. 6)      As proibições ilógicas, sem justificativas racionais, muitas vezes prejudiciais à vida. Exs.: contra doação de sangue, “sexo só depois do casamento” ou “não usar preservativos e outro métodos de prevenção”, somente para citar algumas destas ilogicidades.
  7. 7)      As cobranças (às vezes irracionais) financeiras que algumas igrejas e seitas fazem aos seus seguidores, apelando para que demonstrem sua fé ou garantindo que serão “salvas” se derem dinheiro, manipulando as pessoas em cima das carências e sofrimentos, inclusive muitas delas pobres, que não têm nem o mínimo de dinheiro para sobreviver. E pior, quando paralelamente, gastam o dinheiro dos fiéis em suntuosidades e benefícios aos próprios líderes destas igrejas e seitas, mesmo quando antagônicas ao que pregam.
  8. 8)      Porque penso que se existisse algo sagrado, tão justo, evoluído e benevolente como as religiões e seitas pregam, o que mais interessaria, não seria “acreditarmos” – em nada. Seria fazermos o bem uns aos outros, porque isso é o certo, e é o melhor pra todo mundo, ser ético, moral, honesto, justo, universalista, fraterno, entre outros, sempre buscando tornar-se uma pessoa melhor. E tudo se vê nos resultados de nossas vidas – o que somos, construímos, aprendemos, e doamos para um mundo melhor.



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Cartas a um amigo ilustre, que enviou-me texto um tanto ambíguo “Manifesto da democracia Brasileira”.

1)Resposta 1 ao pedido de assinar tal manifesto: Amigo Marcelo,

gostaria de saber se os fatos que vem sendo denunciados quanto ao nível de corrupção envolvendo inúmeros políticos - das mais diferentes "ideologias" e partidos estão sendo ignorados neste manifesto. Soa-me mais uma proposta ideológica, cheia de emoção e sem clareza de propostas - efetivas, práticas, pragmáticas - de solução. O manifesto soa apenas defesa ao atual governo.

Escrevi a pouco tempo um artigo. Não acredito mais em nenhuma ideologia. Tenho vergonha do que tem sido feito pelos "políticos" neste país. E mais ainda quando nas mãos de grupo que se dizia (e ainda se diz) defensores do povo, dos trabalhadores. Nem estes fizeram diferente. Bizarros os resultados. 

Continuamos com a grande maioria da população brasileira na lama, sem educação, saúde ou segurança. Nunca fui militante de "esquerda ou direita". Continuo militante pelo implemento na Educação, para mim, único caminho de mudança, ainda que para longo prazo. Por isso há 32 anos sou voluntária em instituições sem fins de lucro, tentando dar minha contribuição para um país melhor. A cultura do brasileiro de acomodação e calar atrapalha. Mas para a grande maioria que tem que gastar toda a energia em sobreviver a cada dia, dá pra entender. E muitos que poderiam formar massa crítica, dispersam-se nas trocas emocionais ideológicas. 
Exemplo típico de vazio: "luta por mudanças profundas no país, por outra política econômica, contra o ajuste fiscal e contra a corrupção. "

Pergunto quais, qual, como, quando?

Se eu fosse adotar uma ideologia, ficaria com "Imagine" = "a brotherhood of men" - Lennon.

Desde já agradeço o compartilhar.

Bjin, com carin,

Clara.

Resposta 2) - Querido amigo,

não respondi sua mensagem ainda. Queria lhe dizer que, de acordo com as definições tradicionais de esquerda e direita, sou totalmente de esquerda, e entre meus amigos e familiares mais próximos, apenas um se proclama direita, mas com a posição de "Centro".
Para mim, pouco importa a nomenclatura, principalmente com a total desfiguração do antes admirado PT.
Mas insisto que não precisamos nos acumpliciar com ideologias ou partidos para nos posicionarmos. A posição que tomo é pela Ética, pelo Universalismo, pelo Pacifismo, pela Interassistência, pela Ecologia, pela Educação, pelo atendimento das necessidades básicas para todo brasileiro, pelo exercício da cidadania. E na prática efetiva. Não em discursos, falácias, e teorias postas no papel.
 Vou "pra rua" domingo não simplesmente contra o PT, mas principalmente para dar voz à minha insatisfação com a situação política e com os políticos – quase todos - deste país, com a chocante corrupção sem precedentes em quantidade e magnitudes financeiras e de envolvidos, escancarados. E o fato disso existir desde sempre não consola. Ao contrário, choca ainda mais, pois me sinto "enganada". Precisamos dar um basta.
Impechment não é solução. Pode ser apenas um passo. Muito menos a insanidade de uma Intervanção militar. Mas há muito o que mudar. Mudança na cultura do povo - que na maioria acha corrupção normal e não sabe exercer cidadania, reclamar, cobrar, e votar - é uma das necessidades hoje, entre várias, e esta é a que estou fazendo, indo para a rua. Coisa que a Ditadura proibiu e o brasileiro continua sem reaprender. Discordo de vários posicionamentos deles (o movimento). Uso o binômio admiração-discordância.
Vamos? Brincadeirinha. Sei que você não vai. Mas gostaria de vê-lo hehe.

Grande e fraternal abraço,

Clara.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Felicidade: opções para encontra-la

Por estes dias li uma artigo interessante sobre felicidade, abordada por pesquisas científicas (http://awebic.com/pessoas/a-ciencia-do-porque-voce-deve-gastar-seu-dinheiro-em-experiencias-e-nao-com-coisas/ ) - A ciência do porque você deve gastar seu dinheiro em experiências e não com coisas.
Assunto relevante, e, o melhor, abordado com cientificidade. Aos poucos, vamos quebrando paradigmas e repensando o Ter x o Ser.
Em exercício de pensamento crítico, tenho ainda alguns complementos a esta reflexão sobre felicidade. Penso que tampouco as experiências sejam suficientes. Principalmente se são compostas de alegrias fugazes, momentâneas, e que não acrescentem muito ao “Ser”. Insiro a importância da evolução deste Ser (=consciência) e o propósito de vida. Frequentemente, nem mesmo viagens, lazer, festas, farras, diversões diversas, mantem nossa felicidade. Escrevi um artigo simples sobre isso em meu Blog (http://claressencia.blogspot.com.br/2015/02/fugacidade-x-proposito-de-vida.html ). Indico pra quem ainda não leu, o livro Um sentido de Vida, de Viktor Frankl, propositor da Logoterapia – o propósito do existir como condição sin equa non para a felicidade.
Na perspectiva da Conscienciologia (neociência que considera a evolução da consciência através de várias vidas e a multidimensionalidade, abordadas de maneira científica) podemos ampliar ainda mais esta reflexão. Particularmente, Considero o aprender (nos tornarmos continuamente melhores), e, principalmente a interassistência (quando ajudamos alguém, o primeiro assistido somos nós mesmos), os pontos essenciais para uma existência feliz. No mais, fica a reflexão de que felicidade só pode existir concretamente a partir da abordagem do locus interno, e não colocando no externo a nós. Este fato se comprova quando verificamos pessoas que têm tudo, inclusive os bens e experiências abordados no artigo, e não são felizes. Outras há que não têm nada – nem bens nem as tais experiências, e são muito felizes. Claro que um pressuposto genérico para estas conclusões é o fato da pessoa já ter suas necessidades mais básicas atendidas – fisiologia, moradia etc.
         Por fim, muita gente busca felicidade e apoio na religião. Eu não tenho mais religião. Mas não sou materialista. A forma que a Conscienciologia aborda a “espiritualidade”, a paranormalidade e a abordagem desta existência, sem misticismos, sem simbologias, sem gurulatrias, sem dogmas, mas cientificidade, foi com o que me identifiquei. Principalmente pela adoção do “Princípio da Descrença: Não acredite em nada. Tenha suas experiências pessoais.”
        Aproveito para divulgar um artigo que inclui as bases teóricas da Conscienciologia e argumentos sobre cientificidade para a busca pela evolução pessoal da consciência (ser, ego, alma, pessoa): http://www.interparadigmas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Interparadigmas-B-PT.pdf.


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Argumentações ilógicas e falácias

A cada dia testemunho mais argumentações sem fundamento, sem logicidade. Chamou-me a atenção o verbete da Enciclopédia da Conscienciologia “Argumentação ilógica” e o capítulo 151 “Consciências bélicas mentirosas” do livro Homo sapiens pacificus (pg. 420). Ajudou-me a discernir melhor alguns entendimentos empíricos. A título de curiosidade, vejamos algumas entre os 100 tipos de exemplos de das argumentações ilógicas e falácias citadas na referida bibliografia:
Argumentum ad hominem. O ataque pessoal, direto, formulado contra característica da pessoa defensora de determinada tese, desqualificando-a e reduzindo a credibilidade do argumentador. Trata-se de ataque a características pessoais, irrelevantes para a veracidade da tese apresentada pelo oponente.
Argumentum ad nauseam. Ocorre quando se credita maior probabilidade de algo ser verdadeiro em função do número de vezes o qual é dito. É tentar persuadir pessoas não pela qualidade da evidência em suporte da afirmação, mas pela constância da repetição.
Argumentum ad populum (Argumentum ad numerum). Ocorre sempre quando se argumenta sobre ideia baseado no apelo irrelevante da popularidade. Ênfase na tese de a opinião pública e popular repousarem sobre fundo de verdade.
Argumentum ad verecundiam. Este sofisma de autoridade apoia-se no fato de as pessoas aceitarem facilmente as argumentações baseadas no prestígio de quem as anuncia. Utiliza-se a posição social de alguém para chamar atenção e criar crenças coletivas. Argumento dependendo do poder, riqueza ou popularidade de quem fala.
Amostragem seletiva. A apreensão de base de dados específica e a comparação com dados mais genéricos levando a erros de avaliação.
Argumento do consenso. O argumento de defesa de serem as ideais e opiniões da maioria as mais corretas e melhores para todos. Toda unanimidade é perigosa.
Deificação. Tipo de raciocínio non sequitur no qual a falta de compreensão de algo leva a argumentação e à defesa de tratar-se de obra divina.
Jornalísticas. Métodos sutis de distorções midiáticas, com uso de imagens de apelo emocional; isolamento de eventos do próprio contexto histórico; personificação de realidades complexas; enfoques de pontos de vistas dissidentes de modo a torná-los triviais.
Razão pelo forfaif. Ocorre com presunção de superioridade sobre o assunto em pauta e a recusa ao debate a partir da acusação de o opositor não estar apto porque não tem preparo ou leitura de dados supostamente imprescindíveis, na verdade, irrelevantes para tal discussão.
Síndrome booleana. Trata-se de representar o continuum apenas pelas extremidades. Consiste em dividir a série inteira de opções exaustivamente em 2 extremos, depois em insistir na escolha ser feita entre 1 ou outro extremo, sem levar em conta as demais alternativas.
Superficialidade espúria. Ocorre quando o adversário desvia-se do assunto em debate utilizando-se de irrelevâncias, recusando a lógica e as provas do contraditor. Não podendo lançar mão do conjunto do problema, concentra-se sobre pequena parte orientando a refutação sobre fragmento minúsculo, apenas o perceptível a ele.
Exemplificando alguns incômodos que tenho tido com defesas em temas polêmicos, discorro alguns deles, e suas respectivas argumentações ilógicas ou falaciosas. O primeiro foi o incômodo de constatar que está se proliferando a defesa da “campanha armamentista” no Brasil, a ideia indefensável de que a liberação do porte de arma é uma coisa positiva. Argumentam em nome da “Liberdade” (!), que a violência está aumentando, que é uma questão de segurança (!). É a Falsa correlação. A utilização de correlações indevidas gerando afirmações equivocadas. Também incorre-se na falácia da Reificação do possível (hipóstase). Tomar possível efeito como certeza ao se fazer a avaliação de determinada causa (Há duas vertentes: reificação do improvável e reificação do existente). Basta ver o que acontece em países que têm liberação do porte de arma – cresce a violência! O que faz as pessoas pensarem que todos poderem ter porte de arma vai diminuir a incidência da violência, se a arma é instrumento de violência? Na verdade, nem precisaríamos discutir nada disso, se a Educação no país fosse de qualidade, incluindo uma formação cultural mais digna, social, altruísta.
Outra ilogicidade é a defesa da “Descriminalização do uso de drogas”. Uma vez ouvi uma professora doutorada fazer esta defesa com o argumento dos “absurdos que um drogado passa na cadeia ao ser preso somente por ser usuário”. Cai-se no clássico “Um erro justifica um outro”.  E na falácia da Negligência de consequências secundárias. Considerar apenas os resultados imediatos de determinada ação, ignorando efeitos de longo termo. Assim, esta defesa ignora o argumento de que este drogado incorre em ato ilícito. Ignora as possíveis consequências de uma pessoa drogada. Que em primeiro lugar atenta contra a própria saúde física e mental, com possíveis sequelas degenerativas e custosas à sociedade, ao governo, à sua própria família. E quem paga a conta dos resultados mais graves – acidentes, assassinatos, delinquências – provocados pelos usuários? E tudo para ter um patológico e desequilibrado estado alterado de consciência seja por fuga ou hedonismo “barato”. Diria até que os argumentos defensores da Descriminalização das drogas também caem na clássica falácia “Falsa correlação”.
Mais um grande problema é a argumentação ilógica em defesa de tradições. Tradições que se perpetuam às vezes por milênios e que por isso devem ser respeitadas. Isto se chama Argumentum ad antiquitatem. A afirmação de algo ser verdadeiro, bom e inquestionável apenas porque é antigo ou porque sempre foi assim. Mas tradições que causam dor e sofrimento a outro ser vivo (touradas), ou ainda pior, ao ser humano (infibulação, a burca, casamentos entre castas) deveriam ser execradas. Nada que cause sofrimento, dano físico ou moral, a bens ou seres vivos podem ser dignos de respeito, muito menos ante ao Argumentum ad antiquitatem, “a cultura”, como se esta fosse sempre positiva, como se não existissem verdadeiros idiotismos culturais, tema de outro artigo. Às vezes usam também a falácia da “Funcionalidade”:  a argumentação de algo existir porque "funciona", embora tal afirmação seja questionável ou ilusória. São idiotismos culturais cruéis, truculentos e irracionais, que não acompanham as mudanças e evoluções dos tempos, não contribuem em nada para a humanidade, ao contrário, a mantém em estigmas, no atraso, e o pior, na crueldade indefensável que destrói milhares de vidas.
Uma vez um colega defensor de tradições me falou que as próprias mulheres defendiam. Perguntei quantas. Esta é falácia da “Casuística”: O rechaçamento de determinada generalização alegando exceções, na verdade, irrelevantes. De fato existem vítimas tão lavadas cerebralmente, desde tenra infância, entre outras manipulações que sofrem, que são capazes de fazer uma “defesa” (se não fizerem, até são mortas). Mas porque esta minoria com razões questionáveis deveria prevalecer aos argumentos lógicos, e se sobrepor à grande maioria de pessoas da própria classe, mais racionais, revoltadas, indignadas e justificadamente contra estas tradições?
As pessoas têm total liberdade para apoiarem idiotismos culturais como o belicismo – encontram justificativas ilógicas e falaciosas para defenderem as guerras em curso, quando as verdadeiras razões são interesses econômicos, manipulações da indústria bélica, e insanidades dos líderes de países em guerra. As pessoas transformam assassinos em heróis, por exemplo, em nome da coragem que o policial teve de dar tiros à queima-roupa, no ladrão que escapava.  Ou o caso da presidente que participou de várias ações criminosas, incluindo sequestro, e hoje é chamada de coração valente (!) por ter sido torturada – talvez seja o caso do Argumentum ad consequentiam (valorações irrelevantes). Pretende refutar tese (caráter violento/terrorista) ou plano apelando a consequências irrelevantes para o objeto pretendente à demonstração (ter sido torturada inocenta atos prévios?). Aliás, como já disse um pensador: ditadura e radicais são as duas pontas de uma mesma ferradura. Vem à tona outra falácia que abomino: “os meios justificam os fins”.
E a defesa da monarquia, da ditadura, da pena de morte, do regime comunista (existe comunismo não ditatorial?). São tantas loucuras que têm sido postadas com defesas nas redes sociais. Opiniões que certamente não passam por um crivo de aprofundamento. Eu mesma gostaria de discutir cada um destes temas com maior aprofundamento. Por isso não ouso justificar as razões que levam as pessoas a estas defesas de ilogicidades. Tantas falácias e argumentos sofísticos, parciais, ideológicos, emocionais, passionais, furados. Então fico no debate das ideias, não da critica às pessoas. As hipóteses podem ser as mais diversas, as justificativas ideológicas, o conhecimento incompleto e restrito, a falta de cosmovisão, a falta de mundividência, a afetividade ectópica, o sadismo, o masoquismo, tantas outras possibilidades. Trago então a falácia que apela para a “Complexidade”: A falsa atribuição a conjunto de fatos específicos ser muito complexo para se chegar a simples solução ou a diagnóstico ou afirmação de não existir resposta simples para o caso. Complexidade não significa ininteligibilidade.
Reforço avaliar com profundidade os argumentos de sustentação de defesa de idiotismos culturais e tradições, sejam eles mais leves ou mais graves e atentar às ilogicidades e falácias. Evidencia-se a importância de ampliação cognitiva e do discernimento. A Educação configura-se como essencial. Estudo, pesquisa, leituras de qualidade. O autoconhecimento idem, face a realidade de muitas opiniões derivarem de processos patológicos e autodefensivos do ser. Acrescentemos a importância do desenvolvimento da criticidade, da autocriticidade, e do aprender a pensar.
“0 INTELIGENTE É MANTER POSTURA HETEROCRÍTICA EM RELAÇÃO AS AFIRMAÇÕES PUBLICAS  PEREMPTÓRIAS. QUALQUER NOTÍCIA ESPETACULAR TEM CERTO PERCENTUAL DE MENTIRA, NO MÍNIMO, NA FORMA” (Vieira, 2007).
“A ARGUMENTAÇÃO ILÓGICA EVIDENCIA A AUSÊNCIA DA RETILINEARIDADE DA INTELECÇÃO DA PESSOA, CARENTE DE MAIOR AUTORGANIZAÇÃO DAS IDEIAS, REFLETINDO TAL FATO NA PRÓPRIA VIDA HUMANA.
Você reconhece logo os desvios do próprio pensamento quando ilógico e busca retificá-los de imediato, ou teima em sustentá-los de modo irracional? A maturidade mentalsomática já chegou, ou não, até você?” (Vieira, 2012)
Referências:
Vieira, Waldo; Homo sapiens pacificus; 1.584 p.; 3ª Ed. Gratuita; Associação Internacional do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC); & Associação Internacional Editares; Foz do Iguaçu, PR; 2007.

Vieira, Waldo; Enciclopédia da Conscienciologia - Eletrônica; EDITARES/CEAEC; 7ª ED.; 2012. 

Por que respeitar os pais


Recentemente fiquei atônita com o comportamento em relação ao pai de dois queridos jovens que conheço. Jovens de boa índole, saudáveis. Mas que pareceu que não conseguem entender a posição de respeito aos pais. Fez-me refletir para entender o que se passou, fez-me refletir na minha relação com meus pais (bem diferente) e pesquisar hipóteses que explicassem tal comportamento. Dei-me conta que o respeito aos pais (para mim) é algo tão intrinsecamente natural, lógico, inato, que tive dificuldades em descrever o porquê deste respeito.
Pesquisei na internet “por que respeitar os pais” e pra minha surpresa, tirando os links religiosos, não encontrei quase nada. Recusei ler os argumentos religiosos, porque não me interessa que este respeito seja porque Deus quer assim, porque seja um mandamento, ou porque se não fizer assim você vai para um inferno. E, frequentemente, certas “leis” religiosas, quando assertivas, não ditam mais que o óbvio do que é adequado.
Li alguns artigos de especialistas em educação, vi alguns vídeos. Chamou-me a atenção a explicação do Içami Tiba (Quem Ama Educa), colocando que a geração passada foi tão massacrada pela predominância autoritária dos pais, que resolvendo fazer diferente com os próprios filhos, partiram para o extremo oposto, tornando-se pais lenientes, permissivos. Sem impor limites aos filhos, muitos pais criaram “príncipes”, crianças que tornam-se jovens sem noção de muitos valores nobres do ser humano, de respeito, e com um alto nível de acomodação a terem as coisas fáceis. Há várias outras causas explicativas para o desrespeito dos filhos aos pais. O próprio desequilíbrio e conflito entre os pais, as sutis ou grosseiras ações de alienação parental, os erros na educação, as distorções de valores, a pouca cognição de pais e de filhos, que pouco leem/estudam e muito ficam nas banalidades da TV, entre outros.
Falando genericamente, é cenário comum, na classe média e mais abastada, o incomodo ou recusa a pegar ônibus, mamãe ou papai tornam-se seus motoristas particulares, sendo às vezes os próprios pais que fazem o padrão. Ano passado um colega me falou que buscava o filho de 18 anos todos os dias na faculdade na hora do almoço. Sim, temos tempos de maior criminalidade que 20-30 anos atrás, quando eu, ainda menor de idade, trabalhava até 22h no shopping Recife e descia do ônibus na deserta avenida Conde da Boa Vista para andar alguns quarteirões até em casa, passando das 23h.
Mas e aí? Vamos manter a redoma nos filhos? Alimentando a cultura do medo, geralmente excesso de precaução? Estarão eles preparados para a vida? Para o mercado de trabalho? Amplia-se o nível de dependência, restringe-se a visão de mundo. E os pais que não têm carro? Aliás, os pais sem carro são maioria neste país de grandes desigualdades! É o paradoxo do excesso de zelo da minoria burguesa no Brasil.
É também cenário comum, não colaborarem nas tarefas domésticas, não terem suas coisas ou seu quarto devidamente organizados. Comum desenvolverem sobrepeso, e, o pior de tudo, não saberem o que é respeitar os pais. Não entenderem a posição de filho, querendo discutir em pé de igualdade e falar o que bem querem e entendem, rebatendo os argumentos ou ordens dos pais, quebrando as regras mínimas de obediência, respeito e consideração pela autoridade dos pais. Fazem expressões de “estou de saco cheio” ou as verbalizam. Às vezes aumentam a voz e até ameaçam os pais. Veem-se no mesmo nível de direito e competência com relação a sua opinião. Pensam que esta tem o mesmo valor – que pode até ocorrer excepcionalmente, mas o maior problema, é que não respeitam a autoridade dos pais. Em um extremo, observa-se o incremento dos crimes de matricídio e parricídio no país.
Já falei pra várias pessoas “não importa a qualidade dos nossos pais. Mesmo que sejam maus pais, devemos o respeito. Se não fossem eles, não existiríamos”. O fato é que na pior hipótese devemos a eles a nossa vida, a nossa existência. E caso tudo corra bem, aí a dívida dos filhos fica bem maior com seus pais: os vários anos dedicados aos cuidados fisiológicos e educativos, formativos. A troca de fraldas, a alimentação, as noites em claro, o ensinar a engatinhar, falar, dar os primeiros passos, todas as aprendizagens básicas de vida, a presença em tantas ocasiões especiais, os custos de escola e outros benefícios e tantas outras atenções. E depois de tudo, ver um filho desrespeitar um pai ou uma mãe, esta que ainda mais o carregou meses no ventre e deu de mamar por tantos outros meses, muitas vezes com complicações fisiológicas. Opor-se às determinações dos pais (desobediência aos pais), medir forças nos argumentos opinativos, achar que tem os mesmos direitos, impor vontades, sem falar em casos mais graves.  É simplesmente incompreensível. Às vezes, chocante.
E se o filho chega aos 60 anos de idade, e ainda é um privilegiado em ter um pai, e se o pai discorda de uma opinião deste filho, qual a postura?
Diante de todo o exposto, penso que o filho sempre poderá dar sua opinião, argumentar, explicar, mas jamais, desenvolver postura de maior autoridade, maior valor que o daquele que lhe deu a vida – o genitor, o responsável, o provedor. Que faça um exercício de paciência. Palavras-chaves: reconhecimento, gratidão. Filhos “respondões” sabem o que é isso? Infelizmente há casos que somente com a ajuda de um profissional a situação poderá se resolver.

Exceção: pais violentos. Entra aí em ação os profissionais – do serviço social, da psicologia, e, se for o caso, da polícia.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Opinião política - continuação

Este texto é para compartilhar reflexões trocadas com um amigo, ante uma postagem de vídeo que fez, onde manifestantes contra o governo insultavam o antigo integrante do CQC, petista, vestindo vermelho, com bebê no colo, passando no meio da manifestação e o qual revidava os “insultos”.  Meu amigo postou “essa é a nossa direita: autoritária e desrespeitosa”. Decepciona-me meu amigo antes antimaniqueísta, restrigindo sua visão e opinião, sendo parcial. Cadê suas tantas leituras, informações, dedicação à espiritualidade e filosofia? Trocou pela ideologia radical esquerdista?
Escrevi o texto como exercício de concatenar meu posicionamento político e incômodos com a situação do Brasil, e a divisão de opiniões na população. O fato é que não aguento mais assistir e ouvir as notícias “direitistas” ou “petistas”.
Numa análise imediata sobre o vídeo, pensemos: As posturas (realmente) lamentáveis não seriam composição do ser humano predominantemente belicista e reacionário? Os “esquerdistas” agiriam diferente em situação inversa (temos vários fatos)? As facetas depreciadas não seriam do Ser, e não do partido? Você retrucaria insultos com seu filho ainda bebê em seus braços? Mais um factóite pinçado para dizermos o que quisermos. Espero que o ator não tenha feito de propósito, justamente pra criar um factoide.
Temos hoje no nosso país uma série sem precedentes de ilogicidades, incoerências, corrupções autocorrupções, seja por maior acesso às informações, seja pela piora dos valores e da cultura brasileira. Para mim, não é questão de esquerda ou direita. É uma decadência de valores e princípios, somados à corrupção generalizada e a impunidade, entre outros ingredientes piores.
Ser partidário hoje, e eu, nesta existência,  felizmente, nunca fui, é mais arriscado que nunca: o risco das emoções se sobreporem à razão, o risco de  ser passional, o risco de ser tendencioso, o risco de apegar-se a fatos isolados para defender uma falsa conclusão, onde há toda uma situação formada por inúmeras variáveis, o risco de restringir as opiniões e perder uma visão mais ampla, mais neutra, mais racional e menos reacionária. Não precisamos de tendências políticas para almejarmos o bem comum, a justiça social, ou a tão distante e almejada paz.
Fico triste por meus amigos tornarem-se partidários ou presos a ideologias (algumas delas ultrapassadas), e tantas vezes empenharem-se em disputas argumentativas questionáveis, muitas vezes ilógicas, mesmo diante de fatos contraditórios. Atacar os erros da “direita” justifica os erros da “esquerda”? O que acrescenta? “A direita” também corrupta inocenta a corrupção da “esquerda”? No Brasil ainda existe “Direita” e “esquerda”? E fico triste de perdermos tempo com argumentações partidaristas, ao invés de reivindicarmos decência, de defendermos a honestidade e a lisura, ao invés de AGIR.  
Foi neste sentido que fui às ruas, com esta intenção de tornar pública minha insatisfação com a realidade do país. Infelizmente, há poucas manifestações. Parece que os brasileiros ainda não se acostumaram de não estar mais na ditadura e não se empenham em movimentos públicos. Em países mais avançados existem movimentos todos os dias nas praças públicas (mais inteligentes, sem prejudicar o trânsito). Não concordo com pedidos de impeachement (sabemos que sequer há cabimento jurídico para isso – ainda não), muito menos a defesa absurda de intervenção militar. Mas têm sido únicos estes movimentos de ir às ruas sob o lema de dizer aos políticos um simples “ estamos insatisfeitos”. Ou sendo mais ousada, que eles entendessem “suas próximas candidaturas estão em risco”. “Mudem, cumpram com a sua obrigação!” Minhas críticas ao governo, não são porque são do PT, mas este é o atual governo.
Mantenho o uso do binômio admiração-discordância. Nos fatos e nas amizades. Não deixo de admirar as facetas positivas de algo ou alguém, por existirem facetas que discordo.
Em termos práticos penso que a melhor maneira de ajudarmos o país a se desenvolver – socialmente, culturalmente, intelectualmente, é o investimento na ampliação do discernimento das pessoas, para que saibam reivindicar a justiça social, votarem corretamente, argumentar com logicidade. E mais que isso, investirem em tornarem-se pessoas melhores. Ideologias e partidarismo são antíteses do discernimento. O emocional se sobrepõe a racionalidade. Por isso os evito.
Convido você a discutirmos possíveis soluções para ajudarmos nosso país a melhorar. Reclamar, OK, mas e aí? O que fazer pela mudança? Meu foco é a Educação. Qual a sua sugestão?

Idiotismos culturais

    A partir da leitura do Homo sapiens pacificus, despertei para maior atenção  a valores, escolhas, opiniões e rotinas que costumeiramente testemunhamos na sociedade. Algumas extremamente valorizadas, aplaudidas, consideradas o must, o estar up to date, e a pessoa que participa se acha o máximo com isso.
    Nestes idiotismos culturais o belicismo se apresenta nas mais diferentes nuances, frequentemente ignoradas pelas pessoas. Pior é quando estes valores são defendidos com unhas e dentes, normalmente com argumentos distorcidos, falaciosos, incoerentes.  Não é intenção criticar ou julgar qualquer pessoa que se encaixe nas reflexões aqui apresentadas. Mas ampliar a reflexão sobre os temas, alguns, polêmicos.
   Vivemos em um zeitgeist sem precedentes de acesso à informação e de possibilidades de experiências. Evoluímos em diversos aspectos, marcadamente relacionados à tecnologia, desde o ano zero. Mas o nível de belicismo – guerras, violência, continua o mesmo ou piora, e com grande parte da sociedade apoiando. Também é possível notar comportamentos anacrônicos e nocivos nos grupos que participamos, frequentemente relacionados a certo nível de belicismo inato em muitas pessoas. É assim que verifica-se o nobelista pedófilo e o nobelista ex-guerrilheiro, somente pra citar alguns casos mais esdrúxulos.
    Estas tendências bélicas se revelam em várias situações. Por exemplo, nas várias tradições insanas, irracionais, sádicas, cruéis? Com o argumento ilógico de merecer respeito por ser uma tradição secular, ou milenar, tanto que piora o fato: a infibulação, as imposições religiosas anacrônicas e tantas vezes cruéis (não poder usar a camisinha, a obrigatoriedade da burca), a mulher que é obrigada a casar com um desconhecido, a menina que é vendida ou dada ao adulto como moeda ou em casamento – sim, a mulher é a mais frequente vítima destas tradições irracionais e cruéis.
Sintetizo meu repúdio a estas “tradições” com a síntese de que “Nada que cause sofrimento, dano físico ou moral, a bens ou seres vivos podem ser dignos de respeito”. São idiotismos culturais cruéis e irracionais que não acompanham as mudanças e evoluções dos tempos, não contribuem em nada para a humanidade, mantendo-a, naquele estigma, no atraso, e o pior, na crueldade indefensável que destrói milhares de vidas.
   Mas há também idiotismos culturais “supostamente” mais “leves”. As “brincadeiras” com as abóboras ou tortas (desperdício de alimentos); as rinhas de galo; as lutas de cães; os adestramentos dos animais (subjulgação);  as lutas de boxe, UFC, marciais (violência entre humanos); o paint-ball; as torcidas organizadas; os fã-clubes dos astros;  os excessos de horas gastas em conversas de bar vazias; a supervalorização das emoções; a preocupação excessiva com a moda; a frequência exagerada no shopping center, mesmo quando não precisa comprar nada; o excesso de horas desnecessárias na academia, com a supervalorização da bigorexia; a supervalorização dos esportes e os excessos de horas gastas seja na prática, seja apenas como expectador;  e o atual maior desperdiçador de tempo e isolamento das pessoas, as chamadas “redes sociais” . As pessoas adotam assistir ou participar de atividades violentas em nome da diversão. As pessoas têm liberdade para assistir ao BBB ou novelas vazias. Também tem-se notado crescente inserção de violência e belicismo no cinema e TV. O que estes idiotismos culturais, frequentemente acompanhados de argumentações ilógicas, acrescentam à nossa existência?
   Para uma consciência mais crítica, é possível verificar que falta desenvolvimento de lucidez, autodiscernimento, e, frequentemente, conhecimento, quanto às escolhas e opiniões, para grande parte da população robotizada e manipulada pela mídia. Sim. Porque é possível gostarmos de idiotismos culturais e fazermos o que gostamos. Mas quais prejuízos os  idiotismos adotados podem gerar? Diria como exemplo o obeso, que não diminui a comida à dieta necessária à sua própria saúde e bem estar e nem faz exercícios físicos. Muitos até partem para a cirurgia (e alguns sofrem complicações ou até morrem), ao invés de priorizar a disciplina e a força de vontade. Por que então insistir em fazer, defender, apoiar, justificar,  o que gera prejuízos à vida? Ou ao que simplesmente ocupa tempo precioso da nossa vida, quando poderíamos estar passando-o com pessoas queridas, lendo um bom livro, assistindo um debate elucidativo ou um bom filme, ou fazendo um curso que amplie nossas competências.
   Vale avaliar, com profundidade, os argumentos de sustentação de defesa de idiotismos culturais e tradições, sejam eles mais leves ou mais graves. Afinal, há tanto mais na vida para construirmos, interagirmos, ampliando a qualidade da nossa intraconsciencialidade e dos nossos relacionamentos, gerando autoaprimoramento, bem estar, amizades sadias, gerando uma sociedade melhor e mais justa.
   Não me canso de reafirmar a importância da Educação, a aprendizagem de desenvolvimento da criticidade, o aprender a pensar e refletir.